Avançar para o conteúdo principal

As ONG em Portugal & Fundraising

A convite do amigo Félix Lungu, tomo a liberdade de participar neste espaço de aprendizagem mútua sobre fundraising.

Há duas semanas foi publicado o estudo "Diagnóstico das ONG em Portugal", o qual contém algumas informações interessantes na perspetiva do Fundraising.



Este estudo financiado pela Fundação Gulbenkian e coordenado por Raquel Campos Franco dá-nos um panorama geral muito interessante sobre a quantidade e principais áreas de atuação das ONG em Portugal. O tempo recorde de realização do estudo (6 meses) não permitiu ir muito fundo em questões como o fundraising, contudo permite identificar algumas tendências (baseado em questionário a 153 ONG):
  • O financiamento privado (sobretudo donativos) apenas representou 7% do financiamento da generalidade das ONG em 2013 (embora existam segmentos onde os donativos têm maior peso, como o caso das ONG relacionadas com os Direitos Humanos e Cidadania que representou 37%).
  • Em 2013, os doadores particulares contribuíram com 75% e as empresas com 15% deste financiamento privado.
  • No período entre 2011 e 2013 o peso dos donativos de particulares aumentou em relação aos donativos empresariais.
  • A maioria das ONG (61%) reportam algum trabalho de marketing e comunicação mas apenas 20% tem um documento estratégico orientador.
  • Gerir melhor a comunicação e a angariação de fundos foi a necessidade mais apontada pelas ONG inquiridas.


Num contexto de escassez de informação sobre a realidade das ONG, e particularmente sobre a área do fundraising, estes dados reforçam a nossa convicção de que ainda temos muito caminho a percorrer e que precisamos de concertar ações para promover mais a participação das pessoas nas causas em que acreditamos.

Parabéns à Profª Raquel Campos Franco e equipa pelo excelente trabalho!

Tiago Carmona
linkedin/tiagocarmona

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O que é o Fundraising?

«O conjunto de estratégias e procedimentos que levam as pessoas a darem voluntariamente recursos financeiros»

- O seu objetivo é conseguir doações;
- Mais do que conseguir doações, é conseguir doadores;
- Mais do que conseguir doadores é montar um sistema de conquista de doadores;
- Um sistema que os leve a doar cada vez mais e com maior frequência;
- Por fim, um sistema que os leve a deixarem um legado;
- E que façam tudo isso com alegria identificando-se com a causa da instituição.

Fundação Maria do Carmo Roque Pereira

Caros Amigos
Como muitos já sabem, o Miguel e eu dedicamo-nos de alma e coração já há vários anos à Fundação Maria do Carmo Roque Pereira.

A Fundação é uma IPSS cuja actividade principal é uma creche e um jardim Infância na zona da Graça, em Lisboa, com 50 Crianças entre os 18 meses e os 5 anos. Apoiamos também cerca de 80 familias (mais de 250 pessoas) através da entrega de cabazes do Banco Alimentar.

Funcionamos há alguns anos nos Claustros da Igreja da Graça. Um sitio lindissimo mas com muitas limitações e algumas faltas de condições, que todos os dias vamos tentando melhorar para oferecermos o melhor serviço - a equipa que ali está é extraordinária e às vezes faz verdadeiros milagres.

Como IPSS vocacionada para o apoio a famílias desfavorecidas e com muitas dificuldades, todos os dias apertamos o cinto e temos mesmo a corda ao pescoço.
Precisamos de adquirir equipamentos e materiais, e sobretudo algumas obras são necessárias para que possamos manter os requisitos míni…

Chamadas telefónicas de valor acrescentado

Recebi um e-mail com esta mensagem e embora não concorde com tudo o que se diz, aliás porque entendo que haja um custo de manutenção, deixo aqui este registo sobre as chamadas de valor acrescentado e que é sintomático daquilo que as pessoas pensam. Qualquer novo serviço, por mais positivo que seja, se não for suficientemente bem explicado, pode levantar dúvidas e até calúnias.

«É uma vergonha o que se passa com o valor das chamadas telefónicas de ajuda a vítimas de catástrofes. Vejamos então o que se passa com as ditas chamadas: Cada chamada custa a quem a faz 72 centimos (60 centimos + IVA). No entanto para as organizações de ajuda no terreno são canalizados apenas 50 centimos, ou seja mais ou menos 69% do que pagámos. Os restantes 31% - 22 cêntimos - vão uma parte para o IVA 20% e restante não sabemos bem para quem.

Assim, dos 72 centimos que oferecemos, temos que:
- organizações de Solideriedade recebem 50 centimos
- para os cofres do governo através do IVA 20% 12 cêntimos
- não sab…