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Miley Cyrus e a filantropia

Miley Cyrus e Jesse, o sem abrigo de Oregon.
Na última gala dos MTV Video Music Awards a Miley Cyrus, que recebeu novamente o prémio para o melhor vídeo do ano, mandou subir para o palco o Jesse, um jovem de 22 anos sem abrigo de Oregon, que agradeceu em seu nome e aproveitou aquela oportunidade única e uma audiência fabulosa para lançar o apelo por uma causa. Eis as palavras de Jesse:
“I am accepting this award on behalf of the 1.6 million runaways and homeless youth in the United States who are starving and lost and scared for their lives. I know, because I am one of those people. I have survived in shelters all over this city. The music industry will make over $7 billion this year, and outside these doors are 54.000 human beings who have no place to call home. If you want to make a powerful change in the world right now, join us and go to Miley’s Facebook page”
Brilhante! Parece que tudo isto tem a ver com o canal Prizeo.com onde Miley promove uma campanha de fundraising para My Friend’s Place, uma organização de Los Angeles que ajuda jovens sem abrigo, entre 12 e 25 anos, a encontrar casa, emprego, cuidados de saúde e educação.

Será que a Miley Cyrus ficou contagiada pelo vírus da filantropia? Será um golpe de marketing para refazer a sua imagem? Difícil de dizer. Sabemos que a Miley é aconselhada por Trevor Neilson, o presidente do Grupo de Investimento G2 e co-fundador do Global Philanthropy Group, que desenvolveu no passado campanhas de caridade para artistas como Bono ou Shakira.

Pessoalmente, acho que às vezes alguns artistas aproveitam-se (dissimuladamente) das causas sociais para se auto-promoverem. Podemos voltar a falar da moda deste verão do "balde de gelo" em que, por vezes, esqueceu-se a causa e ficou-se apenas pelo "self promoting".

A instrumentalização das causas é má e deve ser denunciada. Não podemos deixar de lado os princípios éticos simplesmente porque queremos atingir alguns objectivos a curto prazo. O fim não justifica os meios!

Também é um facto que, nestas parcerias entre o mundo do espectáculo e o fundraising, as causas saem, quase sempre, beneficiadas em notoriedade mas também em volume de donativos e aumento da base de novos doadores.

Por fim, uma vez mais confirma-se que o terceiro sector, apesar de ser tão menosprezado, continua a exercer um forte fascínio e atracção sobre a sociedade civil. É sexy! Ora, em fundraising também, isto é um ponto forte que devemos saber explorar e vender bem caro!

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