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O mito da fadiga dos doadores


Há dias encontrei uma reflexão sobre a fadiga dos doadores e lembrei-me de trazer este tema para aqui. Basicamente o assunto tem a ver com a frequência e a forma como fazemos a nossa angariação de fundos. A conjugação errada destes dois factores pode provocar nos doadores um certo desconforto - fadiga - que pode ser prejudicial para o nosso trabalho de fundraising.

Tudo isto pode acontecer, sobretudo, quando não há uma estratégia correcta e a procura de resultados segue uma política de "terra queimada", quer dizer, pedir com maior frequência, da mesma forma e às mesmas pessoas, na esperança de aumentar o número e o montante dos donativos.

Quando os números estão a baixar temos a tentação de atribuir a culpa a alguma força exterior, a algo que está fora de nosso controle. É mais fácil culpar alguém em vez de analisarmos o que está errado e tentar encontrarmos formas de corrigi-lo.

E é aqui que entra esta força externa a que chamamos: a fadiga dos doadores. Simplesmente os doadores estão cansados, desinteressados, afastados, não  se importam mais com a nossa causa, deixaram de ser compassivos e não querem mais mudar o mundo. Pronto, a culpa não é nossa!

Bem, o mais importante nisto tudo é que não existe esta há tal coisa da fadiga dos doadores. De facto, nunca conseguiremos provar que é esta a razão dos nossos problemas.

A fadiga dos doadores é um mito que usamos em fundraising para não assumirmos o fracasso ou a responsabilidade do nosso trabalho mal feito.

Simone Joyaux, ao escrever sobre este assunto "Donor Fatigue" an Excuse for Poor Fundraising Practices", diz que aquilo que chamamos de fadiga dos doadores é exactamente o contrário pois são os doadores que estão cansados das nossas más práticas de angariação de fundos.
Todos nós temos maus momentos ou passamos por alguma crise de vez em quando. Muitas vezes não conseguimos ver o que está errado. Às vezes, existem realmente forças que escapam ao nosso controle. Mas com maior frequência, os fracos resultados têm a ver com os erros que estamos a cometer.
Os bons fundraisers procuram descobrir o que está errado e depois tentam corrigir. Os maus, têm sempre a desculpa da fadiga dos doadores!

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