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O fundraising é injusto


Serve este post para voltar a falar do desafio do balde de gelo que contagiou omeio mundo neste verão e que já se multiplicou em dezenas de versões alternativas, desde o desafio do balde de lixo, passando pela paródia e até pelo desafio de queimar a bandeira do Estado Islâmico.

Não vou juntar a minha voz ao coro das pessoas que criticam o desperdício de água que este movimento está a provocar, nem vou falar novamente da necessidade egoísta de auto-promoção da maior parte das celebridades e outras pessoas envolvidas nesta acção.

Gostaria apenas de fazer notar que apesar do enorme sucesso desta iniciativa (e o brutal desafio para a gestão dos fundos + 110M$ e novos doadores + 3M), aparentemente o fundraisings é injusto. Dito com outras palavras: a forma como as pessoas decidem fazer um donativo não é racional!

Pensem comigo: não estaremos a dar demasiada importância a esta doença (ALS - Esclerose Lateral amiotrófica) que de facto é uma doença rara e quando há muito mais pessoas a morrerem de outras doenças? Não seria mais sensato orientar as doações para estas outras doenças terríveis? Vejam esta infografia:


É curioso observar que não há nenhum correlação entre a quantidade de dinheiro arrecadado e o número de mortes causadas por estas doenças. Parece que algo está errado com os nossos doadores.

A questão é que as pessoas não dão em função de números. Nunca! E não há nada a fazer para mudar isto! É a forma como o cérebro funciona. As pessoas emocionam-se e deixam-se contagiar. Seguem o exemplo  e imitam as celebridades porque gostariam de ser como elas.

Não é justo. Não é racional. Mas é assim! E não vale a pena tentar educar os doadores ou tentar dar-lhes mais ou melhor informação. Pelo menos neste campo do fundraisings, os seres humanos são governados pelo coração e não pela razão.

A única solução é tentar ser um fundraiser melhor! Vá ao encontro dos doadores onde eles estão, não onde gostarias que estivessem. Procura alimentar os sonhos deles, não os teus sonhos. Não te queixes deles, conquista-os.

Ser um bom fundraiser está ao alcance de cada um. E este é o único caminho para angariar mais fundos, independentemente da qual for a causa.

Cortesia Jeff Brooks da TrueSense

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