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“É com muito amor que nos damos às plantas”

Ao todo, são 1.200 plantas, entre “alfaces, brócolos, favas e couves portuguesas, as culturas que melhor se adaptam a esta época do ano”, diz o professor Shakib Shahidian, responsável pelo projecto da horta da Mitra, que, a bom ritmo, lá vai produzindo produtos biológicos.
 
A cerca de 12 quilómetros da cidade de Évora, este pólo da Universidade local, que funciona, também, como herdade experimental, faz agora as primeiras colheitas, num terreno com cerca de 400 metros quadrados.
 
Shahidian é um professor que gosta de aulas práticas e alunos com vontade de trabalhar. Assim começou verdadeiramente o projecto. “Um dia viemos ao campo montar um sistema de rega e os alunos perguntaram se podiam criar uma horta. Eu disse que sim, mas nunca sonhei que passada uma semana me fossem bater à porta para fazer a horta”, recorda, entusiasmado, o docente que lecciona várias disciplinas na Licenciatura de Agronomia.

Desde a plantação e rega, até à colheita, tudo está a cargo dos alunos que colocam em prática “os conhecimentos que adquirimos nas aulas”, revela João Rego, um estudante do 3.º ano de Agronomia, que elege este objectivo como o que esteve na génese da horta. “Se aprendemos nas aulas mas não praticamos, não saímos daqui engenheiros como deve ser!”, diz, convicto, este jovem de 22 anos que admite já ter uma ligação ao campo e à natureza. É por isso gratifi cante e compensador tratar da horta, diariamente. “É sempre como muito amor e carinho que nos damos às plantas”, admite João Rego.

Adquirir experiência e ajudar os mais desfavorecidos 
Com tanto afecto à mistura, os produtos só podem mesmo ter um destino especial: instituições de solidariedade. Manuel Ramalho, outro dos alunos envolvido neste projecto conta que a decisão foi pensada e tomada em conjunto por todos os que no dia-a-dia “alimentam” este espaço. “Se temos aqui uma grande área com produtos, porque não darmos à Caritas ou ao Banco Alimentar, para ajudar os mais desfavorecidos?”, questiona este jovem finalista.

Se assim o pensaram, mais depressa o fi zeram. Depois de contactados os responsáveis e de tudo ter ficado acordado, agora, duas vezes por semana, é feita a recolha dos produtos frescos e no próprio dia, entregues pelos alunos às instituições que, por sua vez, os distribuem pelas famílias mais necessitadas.
 
Quem tiver o privilégio de ter à mesa alguns destes vegetais pode ter a certeza que são produtos sem químicos, de resto, garante Shakib Shahidia. “Desde o princípio, foi uma regra que estabelecemos. Não aplicamos nenhum insecticida porque achamos que a saúde pública é maior, e quem olhar para estas plantas consegue ver que estão em equilíbrio com o seu meio”, diz.

Não é difícil adivinhar o orgulho que o docente tem neste projecto, que espera venha a ser abraçado por todos os alunos da Licenciatura de Agronomia, e que pelo menos durante um ano possam ter uma experiencia de campo, devolvendo aos jovens o gosto pela terra.
 
Esta é também uma aposta num sector que já conheceu melhores dias, e que hoje anda a vaguear pelas ruas da amargura.
 
Manuel Ramalho tem essa consciência, mas recusa-se a baixar os braços, alegando que “Portugal
tem todas as condições para plantar os seus próprios produtos em vez de estar a importar
”.
Para este estudante é importante “incentivar os produtos nacionais”.

Com o apoio da Universidade de Évora e da ZEA (sociedade que gere a herdade da Mitra), o projecto está em fase de crescimento. O alargamento da área de plantação e a criação de uma estufa para produzir todas as plantas, desde a semente ao produto fi nal, são apostas que vão ganhando forma.


Fonte RR » Rosário Silva

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