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mysocialproject.org

O Facebook tem dois milhões de utilizadores registados em Portugal, o Linked-In tem cerca de 400 mil, e o thestartracker, rede para talentos portugueses espalhados pelo mundo, 33 mil membros.

Foi apresentada na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, uma nova rede social criada de raiz em Portugal por dois jovens empreendedores, Pedro Bártolo e Martim Vaz Pinto.

O objectivo da My Social Project é ligar pessoas, empresas e causas para dar gás a diferentes projectos sociais em curso no país, seja movimentos espontâneos da população seja iniciativas de instituições particulares de solidariedade social ou associações. Até ao final do ano esperam chegar aos 5 mil membros – um cenário realista, diz Pedro Bártolo, um dos fundadores. Mas o objectivo é ambicioso: criar um mercado de projectos sociais e obter dados para medir pela primeira vez em Portugal o impacto do voluntariado e as carências sociais das organizações, numa parceria com a Católica–Lisbon School of Business and Economics.

Pedro Bártolo, 28 anos e licenciado em Gestão Industrial, explicou que a ideia nasceu há um ano e três meses de conversas entre um grupo de amigos com alguma experiência no voluntariado. Bártolo fundou em 2008 um movimento chamado Pegadas, um grupo de jovens católicos que organiza actividades como campos de férias para cerca de 150 crianças de Cascais. Com a ajuda do amigo Martim Vaz Pinto, de 26 anos e formado em Economia, e assessorados pelos “seniores” Pedro Rocha e Mello (Brisa) e Rui Diniz (José de Mello Saúde), passaram os últimos meses a desenvolver a plataforma e a encontrar os primeiros membros.

O projecto arrancou com 100 empresas inscritas e cerca de 30 associações, mas o objectivo é chegar às 100 durante as primeiras semanas, diz Bártolo. Para isso, o My Social Project tem já uma parceria com a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, que lhes abriu as portas a 5 mil organizações.

“Noventa por cento das instituições que temos estado a contactar têm aderido à rede, mas um dos desafios que já identificámos é que vai ser preciso criar uma rotina nas IPSS para que actualizem os seus perfis. A rede vai funcionar como um mercado: quando mais forem sensíveis ao marketing e à necessidade de se divulgarem, mais vão conseguir canalizar recursos e donativos.”

Do lado das empresas, além de terem criado uma carteira de 100 organizações com capacidade financeira para reforçar o mecenato, Bártolo explica que outro pilar importante para o seu envolvimento serão não só os projectos de solidariedade social, mas também aqueles orientados para a sustentabilidade. Apesar de já haver alguns projectos de promoção do voluntariado social, como é o caso do projecto Do Something ou da Bolsa de Valores Sociais, o fundador sublinha que este é o primeiro projecto no país que aproveita o modelo das redes sociais para ligar todos os intervenientes.

“A nossa primeira ambição é ter uma rede, suficientemente sólida e credível, que mobilize as pessoas”, diz Bártolo. Neste primeiro ano, a rede vai ter permanentemente duas pessoas a gerir os contactos e a aconselhar as associações a promover as suas causas, seja com textos ou vídeos do trabalho que estão a desenvolver. Mas o objectivo é que a plataforma funcione por si, com as leis da oferta e da procura. Uma pessoa que queira fazer voluntariado pode pesquisar pela área que lhe interessa e região do país, e se tem disponibilidade total ou parcial. Já uma instituição ou empresa poderá fazer a mesma busca, seja à procura de voluntários ou de projectos que vão ao encontro do programa de responsabilidade social da organização. Já o primeiro retrato destas interacções, a cargo da Católica, é esperado dentro de um ano: “Como é uma rede que criámos de raiz, consoante a adesão vamos poder ter dados sobre quem ajuda e como é que ajuda, que donativos é que as pessoas estão mais dispostas a dar e quais as carências das IPSS, o que permitirá um retrato que, até ao momento, não há nenhuma entidade a fazer.”

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